Frente Comum preocupada com entrega da vigilância da Serra da Estrela a empresa privada

Os trabalhadores do Instituto da Conservação da Natureza (ICN) lançaram o alerta para o que chamam de privatização da vigilância ambiental na zona protegida da Serra da Estrela. Dizem que o ICN se prepara para entregar as funções de vigilância do parque natural à Turistrela, o operador turístico que tem o monopólio da serra mais alta de Portugal continental. A denúncia foi feita à Frente Comum. O sindicalista Paulo Taborda explicou à Antena 1 que os trabalhadores do ICN estão preocupados, porque se está a dar o controlo da fiscalização ambiental a uma empresa que tem interesses comerciais nesta área protegida.

Fonte RTP

O Cerco

Cerco

A nossa página aparece, digamos, com alguns retoques, mais arejada sem dúvida com o propósito de melhorar e ajudar a crescer a nossa Associação esperando, digo eu, que essa melhoria vá ao encontro do gosto do público e dos associados em particular.

Este “arejamento” vem em boa hora, numa altura em que nos aproximamos do final de mandato e do aproximar de mais um acto eleitoral, que se deseja participado, para os Órgãos Sociais da ASE.

No próximo acto eleitoral, que o Presidente da Mesa da Assembleia Geral se encarregará de agendar e anunciar, já será possível votar electronicamente, permitindo assim a cada membro da ASE exercer o seu direito sem necessidade de recorrer à via postal ou presencial que, como sabemos, exigia, dos associados, um esforço completamente desajustado atendendo à realidade geográfica dos mesmos e se reflectia na fraca participação nos actos eleitorais. Se bem que o ideal seria podermos gozar da oportunidade para o convívio entre amigos. Perante tais dificuldades procuremos aproveitar as oportunidades que as tecnologias nos permitem e fortaleçamos mais a Associação, dando mais legitimidade aos seus dirigentes para prosseguir os propósitos que nos agregou.

As exigências pela defesa dos valores naturais da Serra da Estrela são tantos e tão complexos que exigem de todos os sócios e dos que não são, uma discussão mais séria, mais participada e mais exigente na medida em que o momento que o país atravessa é propício à receita de milagres e pouco dado à reflexão, quando em causa estão valores demasiado importantes como os que já são visíveis e a por em causa a essência do maior maciço montanhoso do país. O CERCO à integridade física desta imponente elevação que o país conhece por SERRA, está a consolidar-se sem que nada nem ninguém lhe esteja a por cobro ou no mínimo o discuta porque o tempo é de contar os tostões, deixando as questões, importantes, dos valores naturais para um plano secundário. O anunciar de falências autárquicas só virá piorar as coisas e justificar tal necessidade no atropelar de raciocínios mais clarividentes. A mão artística do Saul Carvalho previra, há alguns anos, a tragédia que poderá vitimar a Serra da Estrela através da instalação de parques de energia eólica. O CERCO está a construir-se e os interesses movem-se nas montanhas!

Acaso alguém se atreveria a colocar tais infra-estruturas à volta do Mosteiro dos Jerónimos! Porque o fazem então na Serra da Estrela à margem de qualquer discussão séria ou antes de se esgotarem todas as potencialidades eólicas do país e, então sim, se fosse um caso de vida ou morte, salvasse a Serra o país desse martírio!

Os, já instalados, parques eólicos nos concelhos de Celorico da Beira e Guarda bem assim como os dos limites dos distritos de Castelo Branco e Guarda, a Sul da Serra da Estrela, bem ainda como os medidores de vento espalhados por, praticamente, todas as linhas de cumeada, quer na bordadura quer no interior da Serra permite-nos adivinhar qual o cenário, dantesco, que se avizinha e que irá ferir de morte a paisagem natural do maior maciço montanhoso de Portugal. E a isto não se pode ficar indiferente. Tamanho absurdo tem de ser contrariado com ideias mais justas que valorizem o nosso património e não o ponham em causa.

Já chega o que da Serra se observa em seu redor. Que bom seria se, olhada cá de baixo, se visse A SERRA unicamente!

ASE atribui galardão ao CLUBE DE ACTIVIDADES AR LIVRE

CAAL

A Direcção da ASE deliberou atribuir ao CLUBE DE ACTIVIDADES AR LIVRE (CAAL) o galardão “CRISTAL DE GELO” que será entregue no próximo Sábado, dia 18, à s 21:00 horas, no Parque de Campismo dos Picheleiros (Parque Natural da Arrábida) onde, há 25 anos, se fundou o Clube.

O Galardão, instituído pela ASE, destina-se a distinguir pessoas ou entidades cujos feitos em prol da Serra da Estrela sejam dignos merecedores.

O Clube de Actividades Ar Livre tem ao longo dos anos evidenciado toda uma envolvente pedagógica assimilada pelos seus directores, direccionada para a conservação dos valores naturais, que se revelou uma máxima na vida do Clube.

É de destacar a preocupação que o CAAL tem dedicado ao conhecimento do Portugal mais profundo, enriquecendo assim as regiões mais desfavorecidas, quer em termos económicos, quer pelo bafejar de sentimentos entre gerações de multiplicidades culturais diferentes.

Tem sido evidente a preocupaçõeo do CAAL em envolver agentes dos locais onde programa as suas actividades, possibilitando um aprofundamento do conhecimento sobre o meio que visita e granjeando apoios para as pessoas que são chamadas a colaborar, e promovendo ao mesmo tempo as unidades de alojamento e restauração locais.

Mas o AR LIVRE, que já nos tinha habituado a tudo o que de bom se faz pelas regiões e pelas montanhas teve, em particular, o mérito de se destacar pelo apoio incansável ao projecto de reflorestação das áreas ardidas da Serra da Estrela, denominado “Um milhão de carvalhos para a Serra da Estrela”. Com efeito, desde a primeira hora, o seu empenhamento foi magní­fico, e durante os 3 anos de participação dos cidadãos no projecto, o CAAL marcou presença por várias vezes na Serra da Estrela, participando activamente nas sementeiras e plantações, custeando transportes, dormidas e alimentação com um entusiasmo que é digno registar.

Se o Clube de Actividades Ar Livre é hoje o maior clube de actividades do paí­s é, talvez, porque associado ao conjunto das iniciativas que tomou e toma anexou valores que procura explanar para todos os associados e sociedade que só o enobrece e cujos resultados estão à vista de todos nós

Para a ASE é motivo de orgulho poder distinguir o CAAL e todos os seus associados com o galardão “CRISTAL DE GELO”, instituído precisamente para actos nobres como os que agora distinguimos!

A Direcção da ASE

Sanabria e a Serra da Estrela: protecção, conservação e desenvolvimento

Senabria

Situado a escassos quilómetros da fronteira portuguesa, a Norte de Trás-os-Montes, o Parque Natural do Lago de Sanabria oferece-nos uma realidade bem diferente da que estamos habituados nas áreas protegidas do nosso país.
Comparável em muitos aspectos com a Serra da Estrela, tais como a sua natureza geológica e geomorfológica, clima, altitude ou vegetação potencial dominante, desde há muito que as duas serras seguiram percursos diferentes.
A paisagem abaixo dos 1.500m é dominada por bosques de Carvalho-negral (Quercus pyrenaica). Maioritariamente constituí­dos por árvores jovens, pontuados por carvalhos centenários, estes bosques bem conservados traduzem a relação das populações locais com a floresta autóctone: a floresta é o seu bem mais precioso; de onde retiram o seu sustento, que garante a base de todo o sistema agro-silvo-pastoril de que dependem, e que interessa preservar também por ser um dos principais atractivos turísticos da região (in Folheto de Divulgação do Parque Natural do Lago de Sanabria). É a gestão consciente e sustentável do património natural e cultural que por aqui tem permitido o equilíbrio entre o Homem e a Natureza e o bem-estar das comunidades locais.

Não se avistam pinheiros, acácias ou eucaliptos. A produção em monocultura de pinheiro ou eucalipto e a ocupação exponencial do território por acácias é em Portugal uma das principais causas para a perda de biodiversidade e degradação das nossas áreas protegidas, facilitando ainda a ocorrência e recorrência de incêndios florestais. São os Carvalhos, o Azevinho e os Teixos que, de entre as 1500 espécies de plantas que se podem encontrar no Parque Natural do Lago de Sanabria, trazem os visitantes a percorrer os muitos trilhos bem sinalizados, e que nos permitem adentrar pela serra desde os “pueblos” típicos e acolhedores, sejamos montanhistas experientes ou curiosos das belezas naturais.

Para chegar à Cascata de Sotillo, onde estivemos com o grupo da ASE, não há estradas alcatroadas, não há confusão de estacionamento, não há lixo. Apenas a beleza pristina e original de um monumento natural, tal como sempre foi. São vários os quilómetros por trilhos antigos e bem conservados que nos conduzem até lá desde Sotillo de Sanabria, o “pueblo” mais próximo, e são muitos os visitantes anónimos com que nos cruzamos e que nos saúdam com um “hola, buenas” que nos faz sentir a cumplicidade e respeito pelo próximo, lugar-comum para quem já está habituado a estas lides da montanha.
Para quem conhece o Poço do Inferno, na nossa Serra da Estrela, torna-se inevitável a comparação. Mas por cá, o alcatrão que lhe democratizou o acesso, para além de lhe desvirtuar a beleza da inacessibilidade, tornou-se numa ferida aberta por onde chega o lixo deixado por quem nunca aprendeu a respeitar a Serra.

Em Sanabria, como na nossa Serra da Estrela, a neve não é mais que a cereja em cima do bolo, mas por cá continua-se a querer vender apenas a cereja e ignorar o resto do bolo. Apesar da neve em maior quantidade, melhor qualidade e durante maior período de tempo, não há estância de ski, apenas trilhos sinalizados para ski de travessia, sempre que as condições de neve o permitam. Sem assim implicar estradas em altitude (e consequente necessidade de manutenção), estruturas complexas e aglomerações excessivas de visitantes em zonas ambientalmente sensíveis.
A aposta num turismo de qualidade e diversificado, centrado nos valores naturais e não sazonal, resulta num verdadeiro estímulo à conservação da natureza e biodiversidade num ciclo virtuoso de procura e oferta entre visitantes e agentes locais ambientalmente conscientes, com óbvios benefícios ambientais e económicos.

No Parque Natural da Serra da Estrela, desde há muito que o desordenamento e a falta de uma estratégia de desenvolvimento consentânea com a realidade de uma região de montanha nos tem conduzido a uma situação cada vez mais insustentável de degradação ambiental, patrimonial e económica.

Do carvalhal autóctone que outrora terá dominado a nossa Serra, entre os 600 e os 1600m de altitude, praticamente apenas restam as memórias. Desde a sua sobre-exploração à substituição por monoculturas florestais de crescimento rápido, muitas foram as causas para o seu declínio. O Teixo, árvore sagrada venerada pelos celtas e referência na nossa mitologia, tem sido gradualmente conduzido a um estado de pré-extinção, principalmente pelos fogos florestais e pela eliminação selectiva pelos pastores devido à sua toxicidade para o gado, sem que uma estratégia concertada algo tenha feito para garantir a sua conservação.
Essa eliminação/substituição do coberto vegetal autóctone, basilar para o equilíbrio do ecossistema, terá sido determinante para os consequentes processos de degradação que se seguiram: incêndios florestais excessivamente recorrentes; erosão e perda de solo acelerada; diminuição da capacidade de resiliência do ecossistema; alterações climáticas locais; surgimento e expansão de vegetação exótica infestante; perda irreversível de biodiversidade.

Aos problemas de conservação e ordenamento do território soma-se a incompreensível lógica de promoção da região e dinamização da actividade turística: impõem-se severas restrições à circulação pedestre e à prática de actividades de montanhismo, de menor impacte e em maior harmonia com a natureza, enquanto que se facilita o fluxo desordenado e massificado de visitantes em viatura própria através do aumento e alargamento de vias rodoviárias, com consequências ao nível de dispersão da poluição e crescente dificuldade de gestão e manutenção; o recurso a uma concessão, em regime de exclusividade, da exploração turística e desportiva a um consórcio privado (desde 1971 e durante 60 anos e a partir de 1986!), em detrimento do mercado livre onde os agentes locais pudessem tomar parte, prejudica o empreendedorismo e a diversidade da oferta de produtos e serviços, constituindo assim mais um entrave ao desenvolvimento da região; a já referida aposta excessiva no produto “neve”, cuja sazonalidade e variabilidade têm implicações sociais, ao mesmo tempo que se despreza o potencial da beleza natural da Serra durante o resto do ano; projectos de questionável interesse público e desenquadrados da realidade de uma região de montanha que se vão sucedendo, tais como as pseudo “aldeias de montanha” (aldeamentos turísticos) ou a intenção de construção de um casino em plena área protegida; o absurdo da existência de um centro comercial no ponto mais alto de Portugal Continental, classificado como Área de protecção parcial do tipo I, a figura de protecção legal mais estrita do Plano de Ordenamento do PNSE, “onde predominam sistemas e valores naturais de interesse excepcional (…) e que apresentam no seu conjunto um carácter de elevada sensibilidade ecológica” (Regulamento do POPNSE, pela Resolução do Conselho de Ministros nº83/2009); crónica falta de meios e limitada capacidade de actuação do ICNB, agravada por erros de gestão e uma legislação ambiental desenquadrada.

Em consequência desta realidade todos ficamos a perder mas, indubitavelmente, o preço mais alto é pago pelas comunidades locais. Poucos são os que compreendem a importância de proteger a Serra pois, aparentemente, são mais os prejuízos que os benefícios de viver numa área protegida. Apenas sentem que lhes foi retirado o direito de usufruto do que sempre lhes pertenceu.
A exclusividade da exploração do turismo e a sua sazonalidade, a dificuldade em obter autorização para as actividades tradicionais e para novos investimentos contribuem diariamente para a precariedade laboral, o desemprego, o êxodo rural e a gradual perda de identidade cultural da região, agravando a já complexa situação da interioridade.

A conservação da natureza e biodiversidade não se esgota nas “plantinhas ou nos “bichinhos”, como tantas vezes é mal compreendida. É necessário entender que todos nós também somos parte do ecossistema e dele dependemos para o nosso bem-estar e sobrevivência. Em Sanabria, na Serra da Estrela e por todo o mundo em nosso redor.
Interessa restaurar o equilíbrio há muito perdido por cá, entre o Homem e a Natureza. Que estes exemplos de sucesso vindos do país vizinho sirvam para repensar a nossa estratégia de desenvolvimento, pois de Espanha não vêm apenas “maus ventos”.
Porque protecção, conservação e desenvolvimento não podem ser encarados separadamente. Pela nossa Serra, por todos nós.

Rui Ribeiro
Licenciado em Enga.Biofisica

Divulgação de livro “Olhares Montanheiros”

Olhares Montanheiros

É com grato prazer que divulgamos o lançamento do livro “Olhares Montanheiros”, do João M. Gil e do Nuno Verdasca. Fazemo-lo com a convicção de estarmos a contribuir para uma vivência mais sadia das pessoas com as montanhas, através do olhar e sensibilidades que, estes nossos dois amigos, já nos tinham revelado e que agora se manifestará através da edição do seu livro.

Os maiores sucessos, principalmente pelas montanhas!