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Importância das Aves de Rapina para os Ecossistemas

27-12-2012

Em Portugal ocorrem várias espécies de aves de rapina, diurnas e nocturnas, dividindo-se as primeiras em Accipitrídeos (águias, milhafres, tartaranhões, abutres, gaviões e açores), Falconídeos (falcões) e Pandionidae (aguia pesqueira). As nocturnas estão divididas em Titonideos (coruja das torres) e Estrigídeos (bufos, mochos e corujas), existindo ainda dentro destas as migratórias e as autóctones.
Estas aves sempre despertaram a admiração do homem, sendo lembradas desde tempos remotos da antiguidade como símbolos de força, nobreza, agilidade, independência e perfeição.
Este tipo de aves é fundamental no equilíbrio dos ecossistemas. São predadores de topo, eliminam insectos e animais nocivos ao homem, presas velhas, doentes e feridas, que não conseguem sobreviver, criando assim estabilidade no ciclo das espécies. Além disso, as aves de rapina não matam por crueldade mas seguem as leis invisíveis da natureza, caçando para se alimentarem e regulando assim a vida dos ecossistemas por mais sensíveis que sejam.
Cada tipo de ave tem a selecção de presas tão bem definida e a sua evolução no sentido de as caçar que nenhuma espécie interfere ou se substitui na cadeia alimentar.
As diurnas como é o caso do Falcão Peregrino (Falco peregrinus), evoluiu de forma a alcançar grandes velocidades em voo picado podendo atingir mais de 300km/h. As aves em fuga morrem muitas vezes na consequência do enorme golpe desferido. O Milhafre-preto (Milvus migrans), por outro lado, tornou-se numa ave oportunista, alimentando-se muitas vezes em lixeiras e de pequenos animais que encontra mortos, como peixes ou coelhos.
As nocturnas por exemplo, evoluíram para caçar ao crepúsculo e á noite, estão perfeitamente dotadas para esse género de vida, como é o caso da Coruja das torres (Tyto alba), e do Mocho-galego (Athene noctua), para tal estão capacitadas de visão nocturna consequência do elevado número de células fotossensíveis da sua retina que lhes aumenta a luminosidade. A audição destas aves é também extraordinariamente sensível, conseguem detectar um rato a caminhar a grande distância, além do mais as suas penas de voo são muito suaves e o bordo externo das rémiges são dentados com barbas para amortecer as correntes de ar, permitindo-lhes voar silenciosamente.
Todas as aves de rapina alimentam-se de carne, mas nem todas evoluíram para matar, já que os abutres sobrevoam nos céus a planar em permanência aproveitando as correntes térmicas ascendentes para encontrar animais mortos, como ovelhas e mesmo javalis, que desventram graças ao seu forte bico, limpando assim as carcaças expostas ao abandono.
Em Portugal ainda que em pequeno número também ocorre a Águia-pesqueira (Pandion haliaetus) que evoluiu e se especializou na pesca, quer seja em água salgada como em água doce. Esta avista o peixe e precipita-se na água com as garras em riste.
Todas as aves de rapina, sejam nocturnas ou diurnas, têm em comum o bico e garras fortes, que utilizam para matar e desventrar as presas de que se alimentam.
Estas aves podem ser vistas a nidificar consoante a espécie e o habitat, no solo, nas árvores ou nas rochas.
Apesar de todo o equilíbrio que estas magníficas aves representam para os ecossistemas, os seres humanos continuam a atentar contra a sua existência, já que por muitos, são vistas como rivais na caça, não se apercebendo que estas além de comerem animais doentes e velhos também eliminam outros predadores como raposas, saca-rabos entre outros, que muitas vezes destroem invadem território humano para se alimentarem de galinhas e outros anomais domésticos. Temos o exemplo do Bufo-real (Bubo-bubo), que é o maior predador de outras aves de rapina. É necessário uma mudança de opinião e sobretudo de mentalidade sobre estas aves, e pensar que de uma forma geral elas necessitam da nossa protecção e não do nosso ódio.


Luis Moreno


Licenciado em Gestão Ambiental / Falcoeiro

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