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NÃO LIGAMOS AOS SINAIS E MUITO MENOS AO MUNDO RURAL

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A tragédia que os fogos causaram até ao momento, com a perda de muitas dezenas de vidas humanas e prejuízos difíceis de calcular, num país com as carências conhecidas, exige de todos os portugueses a solidariedade e serenidade que não vemos no debate partidário e em grande parte dos Órgãos de Comunicação Social.

A ausência de investimentos para a melhoria das condições dos nossos agricultores que os estimulasse a manter as suas explorações agro-pastoris, valorizando o seu contributo para o equilíbrio dos ecossistemas, foi contrariada por fortes impulsos para a promoção de povoamentos de eucaliptos que estampam a paisagem de norte a sul do país.

Além das variáveis associadas às condições atmosféricas, os eucaliptais, independentemente de serem bem ou mal geridos, são um dos factores que mais influenciam a dinâmica dos fogos.

A Serra da Estrela, principal abastecedor de água ao país, tem sido muito fustigada pelos incêndios e essa factualidade está a causar a erosão dos solos que se tem vindo a agravar pela manifesta ausência de vegetação nas cotas mais elevadas da Serra e a causar danos na capacidade de armazenamento de água no subsolo, situação à qual não está a ser dada a devida atenção.

Apesar de todos os problemas que a Serra da Estrela enfrenta, inclusive da alteração estrutural na orgânica do combate aos fogos e que, a experiência que uma centena de anos já demonstrara que funcionava bem, temos a sorte de não existir um único povoamento de eucaliptos digno de registo. E para isso contribuiu muito a nossa Associação quando na década de 80 do século passado foi capaz de sensibilizar a Portucel para não povoar com eucaliptos a encosta de Famalicão da Serra, como estava previsto fazê-lo.

O momento que o país está a viver não deve servir para a chicana política nem para análises de circunstância, pelo respeito que nos merecem os cidadãos que perderam as suas vidas, bens e de todos os que ainda nem sequer recuperaram do cansaço e das feridas que os terão marcado para a vida. 

No fundo o que urge fazer é procurar não perder mais tempo, pensar mais no interesse do país, porque não há folga para mais erros como os que foram cometidos ao longo destas quatro décadas.

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